Por »£øßå Mµ¡Tø C®µë£«©
*Os nomes das pessoas envolvidas, locais e empresas foram propositalmente modificados com o objetivo de preservar a identidade dos envolvidos.
Fiz muitas coisas na minha vida, entre elas, cometi atos desastrados, inconsequentes e irresponsáveis. Mesmo que eu não tenha me orgulhado na maioria dezes e mesmo algumas vezes eu tenha dito que faria tudo de novo ou que não me arrependo do que fiz, hoje mudei meu conceito ao me dar conta de que, sob outro prisma, o de cristã, Deus diz que devemos confessar e nos arrepender de nossos pecados. Sendo assim, então devo me arrepender dos atos cometidos que considero inapropriados.
Os relatos destes atos tem apenas uma justificativa e um propósito: não cometa o mesmo erro que eu cometi. Posso escandalizar alguns falsos puritanos e legalistas, mas meus objetivos estão acima além de meras condenações de terceiros: todas minhas histórias, boas ou ruins, levam a consequências, consequências estas que eu tive que assumir. Considero que Deus foi até bem mais generoso comigo do que eu merecia, mas credito alguns fatos à Sua única permissão com objetivos que somente Ele conhece...
A história que irei relatar tem duas partes, pois a segunda, que considero a mais grave, é diretamente uma consequência da primeira.
Para minha família era mais do que uma simples tradição passarmos o Natal juntos, com a condição de no Reveillon, termos nossa liberdade decretada e abençoada pelos mais velhos, para irmos para qualquer lugar que desejássemos. Assim, fazia parte a minha rotina que eu viajasse todo final de ano. No Reveillon de 1999/2000 não foi diferente. "Solteira", eu, meu irmão e sua namorada, decidimos ir para Florianópolis. Nesta época eu tinha uma grande círculo de amigos virtuais e reais na Internet, alguns naquela localidade, então comuniquei que estava indo para lá e que iria procurá-los. E foi assim que partimos felizes e contentes para Floripa: meu irmão e namorada no carro dela e eu no meu, assim sentiria mais liberdade e menos constrangimento em não ter que ficar "segurando vela" 24h por dia.
Assim que cheguei à cidade, comecei a "fazer meus contatos" com os amigos locais e ficamos no "vamos marcar algo". O mais curioso é que nenhum dos encontros acabou dando certo e cheguei a me sentir um tanto frustrada por ter ido até lá e não ter conseguido ir a praia ou almoçado com alguém. Chovia muito e isso desanimava um pouco. Mais curioso ainda foi o telefonema que recebi de Daniel, um colega do chat.
A história do Daniel era mais ou menos assim: rapaz jovem, bonito, popular, galanteador, inteligente, misterioso e adorado pelas mulheres. Na verdade ele "atirava para tudo quanto era lado" e eu sabia e tinha plena convicção disso, mesmo que ele namorasse uma também frequentadora do chat, igualmente popular. Seu foco era sempre sobre sexo fácil, sem envolvimento, mas isso não me agradava e nem me interessava: eu só me entrega a quem me apaixonava.
Lógico que no chat ele também costumava "jogar sua rede" para cima de mim que, vacinada, ficava sempre na defensiva, evitava e acabava levando na brincadeira sem nenhuma seriedade. De todas as formas ele tentava se aproximar de mim com "brincadeiras", piadinhas, tentando puxar assunto. Ele me perseguia no chat, no ICQ, pedia meu telefone, mas eu sempre me esquivava. Nesta época eu tinha um "namorico virtual" com um brasileiro que morava nos EUA que começou a me ameaçar quando "terminamos". O tal namoradinho virtual chegou a colocar pessoas no Brasil para me seguirem: prova disso é que ao final do dia ele me ligava e relatava tudo o que eu havia feito, detalhe por detalhe e me ameaçava caso eu me envolvesse com alguém na vida real... Foi um terrorismo declarado, mas isso dá motivo para outra história...
Um dia eu estava saindo para almoçar e aproveitei para resolver uns problemas pessoais quando meu celular tocou. Confesso que me assustei porque não reconheci o número e aquela linha era praticamente exclusiva e privada, poucos tinham aquele número. Eu trabalhava para uma empresa no ramo de telecomunicações e por isso eu tinha 3 celulares, o que era incomum para a época: o meu pessoal, o empresarial e uma linha da qual eu era "beta tester". A linha teste era exatamente a linha para a qual ele havia ligado e a que possuía identificação de chamadas, uma novidade para a época. Decidi atender, assustada e cheia de receios, principalmente quando a pessoa do outro lado se identificou como Daniel. Na verdade eu não sabia seu nome verdadeiro, conhecia-o apenas pelo "nickname" do chat e do ICQ. Fiquei um pouco irritada com sua petulância em conseguir meu número e mais ainda por me ligar, mas aos poucos ele demonstrou-se uma pessoa diferente daquela personagem virtual: educado, inteligente, doce e interessante, sem aquele as cantadas "baratas". Ele passou a me ligar diariamente, sempre no horário do almoço e no final da tarde. O papo tornou-se agradável e descompromissado então permiti aquela intimidade. Ele sabia um pouco da minha história, principalmente a do "namorado virtual americano psicopata", então Daniel mostrava-se amigo, empático, conselheiro e um ombro de desabafo. Aos poucos fui me abrindo sobre minha vida pessoal e descobri que tínhamos muito em comum.
Um dia fiquei um pouco assustada pois ele foi extremamente convicente quando disse que realmente queria me conhecer e que estava muito interessado em mim, em um tom extremamente sério. Fui ainda mais incisiva e lhe disse que ele era um cara legal e tal, mas ele tinha uma namorada virtual que, apesar de não ser minha amiga, eu a conhecia e que eu não queria confusão para meu lado. Apesar de desconfiar da seriedade de seu relacionamento, no fundo ele me assustava um pouco com um certo tom de "fã perseguidor" do passado, então esta era a desculpa perfeita.
Voltando à minha viagem em "Floripa", assim que Daniel me ligou já foi dizendo que sabia que eu estava em Floripa e que queria me ver. Não fiquei assim tão impressionada que ele soubesse onde eu estava mesmo porque eu havia dito no chat que iria viajar e para onde iria antes de colocar o pé na estrada. A princípio aquele sentimento de pânico de um possível perseguidor compulsivo foi logo substituído por um sentimento agradável de coleguismo: o tom da conversa era outro, complemente oposto. Curiosamente estávamos procurando uma pizzaria e eu estava relativamente próxima ao escritório onde ele trabalhava, como ele era morador da cidade, não vi nenhum mal em chamá-lo, afinal de contas, além de que não ter que segurar vela com meu irmão e sua namorada, ainda teríamos um "guia" da cidade conosco que poderia nos indicar um local agradável. E assim foi feito!
Confesso que quando o encontrei tive uma imagem bem diferente da que eu tinha anteriormente. Ele me parecia muito mais sensato, tranquilo e interessante do "psycho" do telefonemas diários. Ele deu risada quando lhe disse que seu comportamento havia me assustado por diversas vezes. Nosso jantar foi banhado a pizzas maravilhosas genuinamente paulistanas, vinho, bom papo e muitas risadas. Confesso que bebemos mais do que a conta, mas ainda estávamos "lúcidos".
Meu irmão foi para o hotel com a namorada, mas o papo entre eu e Daniel havia ficado tão interessante, que perdemos o sono completamente e queríamos dar continuidade pois também achamos que era muito cedo para a noite terminar ali. Fomos para o meu quarto do hotel para que eu pudesse trocar de roupa e saímos novamente para comprar algo. Apesar do clima de coleguismo e dele ter se mostrado respeitoso, não achei conveniente ficarmos bebendo e batendo papo em um quarto de hotel. Era madrugada e não havia nada mais aberto, então decidimos comprar uma bebida e estacionar o carro na orla da praia, ao lado de um quiosque, bem próxima do hotel onde estava hospedada. Era o único local mais movimentado, iluminado e seguro àquela hora. Eu havia levado CDs e mais CDs, principalmente de bandas alternativas e minha impressão sobre ele mudou definitivamente quando descobri que tínhamos o mesmo raro e alternativo gosto musical. Confesso que fiquei perplexa... e a conversa rolou madrugada adentro: ele ficou impressionado com meu conhecimento e acervo musical. Vi nele um lado que até então eu desconhecia e quando me dei conta, estava me sentindo extremamente atraída por aquele rapaz eloquente e charmoso.
Eu penso que quando ele percebeu meu envolvimento ele lançou a bomba: foi quando ele disse oficialmente que tinha uma namorada, Soraia, mas que se apaixonou por mim desde o dia em que me ligou. Eu gelei, apesar de perceber que estava me envolvendo com ele, na minha concepção era um golpe baixa me envolver com uma pessoa que tinha um relacionamento, independente se eu a conhecesse ou não, mas ele afirmou que seu relacionamento era "aberto" onde Soraia o ajudava financeiramente e ele apenas pousava de namorado jovem, bonito e sensual, dando "status" à namorada. Em outros palavras, ele estava me dizendo que seu relacionamento era puramente sexual e por interesse: ele a satisfazia, além de dar-lhe a oportunidade dela desfilar com um rapaz extremamente interessante, belo e mais jovem, em troca de presentes e ajuda financeira. Daniel também me disse que Soraia estava recém separada mas que ainda amava o ex-marido, pai de sua única filha, e que naquele feriado, havia viajado com o único objetivo de reaver seu casamento desfeito. A história era um pouco "cinematográfica", mas ele foi tão convicente que acabei acreditando, mas continuei com um pé atrás, evitando um contato mais próximo.
Daniel começou a "pegar pesado": fazia juras de amor dizendo que queria ficar comigo para sempre, que eu era sua alma gêmea e que queria ter um filho comigo. Eu recuava, tentava me proteger até onde eu podia e pensava comigo mesmo qual seria meu limite, até onde eu conseguiria ouvir tudo aquilo e evitar um envolvimento maior. Embriagada e ouvindo tudo aquilo que uma mulher carente e sofrida queria ouvir, eu acabei cedendo e entrando no papo dele, de cabeça. No início foram algunas beijinhos românticos e respeitosos dentro do carro embalados por músicas que nós dois amávamos...
Pouco antes de amanhacer caiu uma tempestade em Florianópolis, como eu nunca havia visto antes. Chegamos a ficar assustados e com medo, principalmente porque a avenida da praia começou a inundar. Já eram quase 7 horas da manhã e eu havia prometido levá-lo em casa, mas o temporal era tão assustador que nem haviam pessoas ou trânsito, tudo estava lindamente deserto. Se por um lado ele não queria que eu voltasse sozinha de carro debaixo daquela tempestade eu também não me sentia nem um pouco confortável em vê-lo ir embora de ônibus debaixo daquela chuva torrencial. Meus amigos que já me conhecem sabem que não costumo ver maldades em situações que outros considerariam o contrário, sendo assim, na minha essência mais ingênua, ele propôs e eu aceitei que fôssemos ao hotel até o tempo melhorar, haja visto que corríamos certo perigo dentro do carro na orla da praia completamente inundada.
Confesso que aquela situação era perigosa mas eu estava estava disposta a resistir pois no fundo eu ainda tinha medo e não estava me sentindo à vontade com o fato dele namorar uma pessoa que eu conhecia e fazia com que eu me sentisse a pior da mulheres.
Fomos para o hotel e, deitados na cama, como dois bons amigos de décadas, continuamos nosso papo esperando a chuva passar, bebendo, rindo e intercalando alguns beijinhos inofensivos como dois namoradinhos de infância. Aos poucos começamos a nos embriagar cada vez mais e claro, fomos nos entregando e nos deixando levar pelo clima. Quando me dei conta, estava a frente de um homem extremamente sedutor, inteligente, bonito, sarado, interessante e que estava declarando amor a mim e me fazendo promessas...
Não percebi quando exatamente eu perdi o controle sobre mim e sobra a situação, mas o fato nu e cruel é que acabei cedendo aos encantos de Daniel. Na minha ignorância, eu achei que realmente estivesse com as rédeas nas mãos e que poderia limitar até onde aquela história iria. Engano meu, quando me dei conta, sem entrar em maiores detalhes, estávamos na maior intimidade que um casal poderia chegar. Eu estava completamente apaixonada e me entreguei a ele de corpo, alma e mente, sem medir as consequências, como se alguém pudesse fazê-lo a aquela altura. Eu ainda não sei como consegui ter sanidade o suficiente para ainda alertá-lo de que estava em um período completamente fértil e esta é a parte crucial desta história. Eu não sei o que o motivou a me dizer aquilo, mas Daniel me diz, em alto e claro som que queria ter um filho comigo. Dizia que ambos sabíamos o quanto queríamos aquele filho. Tudo bem, alguns irão se perguntar como é que eu caí numa história dessas e que isso é o tipo de cantada que todo homem usa, mas eu posso afirmar que sei reconhecer uma e que aquela situação era diferente. O problema é que isso me tirou de órbita e acabei deixando que as coisas fluíssem no maior estilo: estou em suas mãos...
Foi um momento lindo, finalizado com choro por parte de ambos. Eu estava bastante confusa pois me dei conta de que estávamos completamente apaixonados e tínhamos a plena convicção de que nos completávamos um ao outro. Por outro lado, sentia medo do que poderia acontecer e de como esta história iria desenrolar: lembram da tal namorada, a Soraia? Ele me disse que não tinha como terminar um relacionamento que não existia, que apenas iria dar uma satisfação a ela e "desfazer o acordo", sem traumas e sem dor. Eu acreditei nesta história, não tinha o porquê desacreditar, ainda mais estando apaixonada e envolvida. Então simplesmente adormecemos.
Acordei um pouco antes de Daniel mas percebi que já deveria ser por volta de 14h ou 15h. Fui ao banheiro e sentei na tampa do vaso, chorando, imaginando e pensando nas consequências daquele meu ato insensato. Tudo pesava na minha cabeça, mas principalmente a possibilidade de eu ter engravidado. Pensei: tantas mulheres têm relações em períodos férteis e nunca engravidaram, porque comigo deveria ser diferente. Mas aí me lembrei de uma amiga que havia engravidado, vítima de uma violência sexual, em uma única noite de um desconhecido, então comecei a me sentir muito angustiada. Passei bons minutos chorando no banheiro pensando nas possibilidades das coisas que poderiam acontecer dali prá diante. Daniel acordou com meu choro e foi me consolar no banheiro, reafirmando tudo o que havia me dito anteriormente: que nós iríamos ter este filho, caso eu realmente engravidasse, e que iríamos viver juntos e para sempre, assim que ele fizesse as malas e fosse para São Paulo ao meu encontro, ele só precisava de uns dias para colocar a vida em ordem antes de deixar a cidade. Daniel insistia em afirmar que eu era a pessoa perfeita que ele tanto procurava. Para mim, era mais cômodo e fácil acreditar em tudo o que ele dizia do que colocar a cabeça e no lugar e pensar com o cérebro e não com o coração.
Eu iria embora para São Paulo na noite daquele dia, então passamos o dia juntos trancados em um quarto de hotel, fiz a malas e à noite o deixei em casa, debaixo de beijos apaixonados e promessas mútuas. Meu irmão e eu saímos em carros diferentes, da mesma forma que viemos, nos comunicando durante o trajeto na estrada. Ainda chovia e como tinha que me "despedir" de Daniel, ele me acompanhou até sua casa e saiu alguns minutos à minha frente.
Deixei Florianópolis debaixo de uma noite muito chuvosa e cheia de problemas na estrada. Resumindo: meu irmão parou no meio do caminho dizendo, pelo celular, que a estrada estava interditada e não havia como desviar por outro lugar. Passamos a madrugada toda com nossos carros parados na estrada, distanciados por alguns quilômetros, até que parte da estrada foi liberada. O problema é que ela foi liberada apenas para que todos pudessem voltar para de onde vieram, não havia como prosseguir adiante para nossos destinos. Meu irmão e a namorada, sabiamente, decidiram dormir em algum motel de beira de estrada até que a estrada fosse liberada mas eu, que passei a madrugada em contato com Daniel pelo celular, relatando os fatos, decidi voltar para Florianópolis.
Eu estava cansada, suja, com fome, sono e estressada e Daniel me acolheu assim que cheguei. Era um dia normal de trabalho, então decidi voltar para o hotel, comer algo, tomar um banho e descansar até que pudessémos nos reencontrar após seu expediente e assim ficou combinado. No final da tarde, a notícia sobre a interdição da estrada estava em todos os jornais e familiares me ligavam a todo o instante para me posicionarem sobre a situação. Até meu ex-marido me ligou, preocupada por eu estar presa em Florianópolis. No início da noite meu irmão ligou e disse que estava conseguindo voltar, então refiz as malas, deixei o hotel e parti ao encontro do Daniel. A idéia era jantarmos juntos e nos despedir de novo antes que eu partisse novamente.
Ele estava me esperando na esquina, próximo a um ponto de táxi de uma movimentada avenida. Assim que entrou no carro, me deu um beijo apaixonado e saí com o carro. Ainda estava chovendo e havia pouco movimento na cidade. Assim que parei no primeiro semáforo, meu ex-marido me ligou no celular, para saber como eu estava e me dar informações precisas sobre as condições das estradas. Assim que o atendi e trocamos meia dúzia de palavras, fomos atingidos por um ônibus a mais de 80 km/h que se chocou na traseira do meu carro. Enquanto estava ao celular eu apenas vi aquele clarão através do espelho retrovisor e, por Deus, tive o reflexo de tirar o pé do freio. Foi minha salvação, meu carro foi jogado a uma distância surreal além de ter ficado completamente irreconhecível da metade para trás. Era um carro alemão, importado, altíssima tecnologia, e foi a sorte, pois o cockpit ficou completamente intacto além de ter acionado diversos dispositivos de segurança, evitando até uma explosão. eu saí do carro assustada e chorando, procurando pelo meu celular. Do outro lado, meu ex-marido havia ouvido tudo e estava gritando apavorado sem saber o que estava acontecendo. Eu estava histérica e não conseguia acalmá-lo, mas ao menos conseguir lhe passar segurança de que eu estava viva e não estava ferida.
Se Daniel que não tinha carro e não conhecia uma oficina mecânica e funilaria confiáveis, o que dirá de mim que não conhecia a cidade tão a fundo assim. A única alternativa era a de telefonar para a seguradora e pedir que guinchassem meu carro até uma concessionária. Mesmo que meu seguro cobrisse e cobria, não era muito seguro trafegar quilômetros em um guincho por uma rodovia que havia acabado de ser interditada por um dilúvio. Escolhi uma concessionária de grande porte que ficava ao lado do hotel no qual eu estava hospedada. Era óbvio que Daniel me acompanhasse até a concessionária e depois me fizesse companhia no hotel.
E assim foi, deixamos o carro no páteo da concessionária e voltei para o hotel pela terceira vez e mais uma vez, passamos a noite fazendo juras de amor. Eu tinha uma certeza: se não tivesse engravidado na noite anterior, a noite seguinte seria uma espécie de "segunda chance", pois Daniel fazia questão de dizer que não queria evitar uma possível gravidez minha.
Na manhã seguinte, o táxi designado pela seguradora nos apanhou no hotel e nos levou até a concessionária para os trâmites burocráticos. De lá, eles me levariam ao aeroporto, onde eu embarcaria para São Paulo, deixando meu carro para trás. Daniel passou o tempo todo grudado em mim, cheio de carinhos e cuidados, pois eu realmente ainda estava muito nervosa devido ao ocorrido. Eu voltaria rápida e confortavelmente para minha casa a bordo de um avião e ainda teria um carro reserva locado especialmente para mim, mas a experiência havia sido muito traumática e eu estava deixando para trás uma nova paixão que eu não saberia quando poderia encontrar novamente, dada a distância e nossas vidas profissionais.
Durante nossa estadia na concessionária, aguardando a avaliação do meu veículo, ambos externamos um ou outro o desejo de morar por um tempo no exterior. Chegamos a fazer planos e projetos e ficamos horas sonhando com esta possibilidade. Sim, eu estava completamente apaixonada e no pouco que restava da minha cabeça, acreditava naquele momento e que eu poderia ter encontrado o homem da minha vida. Eu e Daniel, aparentemente éramos muito diferentes, mas com o passar do tempo e as conversas, percebemos que tínhamos muito mais em comum do que imaginávamos. Daniel passou o tempo todo grudado em mim, como um "ursinho de pelúcia" o que muitas vezes me fazia pensar que ele não era "de verdade".
Apesar deste clima de romance, algo ainda me incomodava: Daniel tinha uma namorada, fosse ela "oficial" ou não, e esta situação não me deixava nem um pouco à vontade. Eu não a conhecia mas meu caráter acusador apontava um dedo para mim como se eu fosse a grande traidora da história. Ao chegar ao aeroporto, comecei a perceber que este condição do Daniel também não lhe era tão confortável. Motivo: sua "namorada" Soraia trabalhava em uma companhia aérea então a chance de encontrá-la era praticamente uma condição única. Eu não tinha conhecimento disso antes mas percebi que ele havia mudado radicalmente de atitude quando chegamos ao aeroporto. Ele me evitava fisicamente e aquele "check-in" parecia durar uma eternidade. Tive a nítida sensação de que ele só se sentiria aliviado quando eu atravessasse o portão de embarque. Confesso que aquela situação constrangedora, apesar de não ser a ideal, era compreensível. Por mais que eu também não tivesse um compromisso sério com alguém, eu também me sentiria muito mal se vislumbrasse a possibilidade do meu "ficante" me flagrar com outra pessoa, sem que tivesse ocorrido uma conversa franca, um ponto final "oficial". Sendo assim, nossa despedida foi discreta e embarquei naquele avião ainda apaixonada e já com saudades, mas com uma estranha sensação que eu não saberia explicar...
As semanas seguintes foram literalmente terríveis, pois estive envolvida com processos burocráticos em relação ao acidente além do meu trabalho que havia se acumulado devido à minha ausência. No meu trabalho, perder apenas um dia de serviço significava um drástico aumento de horas extras, que eu normalmente já cumpria religiosamente. Eu ainda estava estranha assim como Daniel, então pouco nos falávamos através do chat. Ainda estávamos traumatizados com o ocorrido e ele ainda não havia conseguido conversar com Soraia que, segundo ele, estava viajando, então tentamos ser os mais discretos possíveis perante nossos amigos de chat...
Eu estava preocupada, principalmente com uma possível gravidez mas Daniel dizia para eu não me preocupar: ele estava procurando por um emprego em São Paulo para poder vir para meu apartamento definitivamente. Fomos levando esta situação por vários dias, até minha menstruação atrasar... Eu já havia ficado grávida uma vez do meu primeiro marido, gravidez esta interrompida por um aborto espontâneo com apenas 11 semanas de gestação, então eu conhecia bem os sintomas. É engraçado como a mulher que se conhece, sabe identificar quando está grávida. Apesar das declarações positivas que Daniel havia dados nos nossos momentos juntos, mesmo assim eu estava com medo de fazer os exames e me deparar com um resultado positivo, então adiei os testes até onde pude, tentanto enganar a mim mesmo, dizendo que o atraso era devido ao meu alto grau de "stress". No fundo eu queria que Daniel me desse uma definição do que ele iria fazer de sua vida. Às vezes me dizia que desejava levar adiante nossos planos de morar no exterior e me dizia que sentia-se mal na possibilidade de morar comigo em São Paulo: ele não queria se sentir "encostado" ou "bancado" por mim, porque de fato não havia nenhuma proposta de emprego certa para ele aqui. Bem, isso era o que ele alegava como impedimento para vir morar comigo e eu, lógico, acreditava nele.
Os sintomas da gravidez tornaram-se tão acentuados quanto o atraso na minha menstruação então decidi fazer um teste de gravidez. Depois de tudo que passamos juntos, eu deveria ficar feliz com a possibilidade de uma gravidez, mas no fundo eu me sentia insegura e com medo, então pedi a uma amiga que estivesse presente quando eu tivesse os resultados em mãos. Aconteceu o que eu mais desejava e temia: eu estava grávida e o único pai possível era o Daniel. Nos vários meses anteriores, era a única pessoa com a qual eu tive relações íntimas após minha separação. Eu estava feliz mas ao mesmo tempo preocupada mas não queria dividir esta notícia com o pai, ou seja, com Daniel, até que ele definisse sua situação. De certa forma eu exercia uma leve pressão porque queria lhe dar o resultado somente após ele se decidir. Ele percebeu e começou a perguntar o que estava acontecendo, mas me mantive firme e fiel aos meus planos. Daniel também estava um pouco tenso e aos poucos começou a se afastar de mim. Perguntei a ele se estava tudo bem, se ele havia mudado de idéia e sentimentos em relação a nós e ele confessou que também estava com um pouco de medo, mas que era para eu não me preocupar que aquela fase ruim iria passar.
Fiz uma coisa "feia" mas compreensível no universo feminino: contei às minhas amigas mais próximas o que estava acontecendo, sobre o Daniel e sobre a gravidez. Na verdade, algumas delas estavam bastante desconfiadas e começavam a me questionar. Algumas comemoram comigo mas outros demonstravam-se preocupadas comigo. Mas de maneira geral, elas estavam tão felizes quanto eu e cometeram alguns deslizes que quase fizeram com que Daniel descobrisse meu "grande segredo". Alguns dias depois, esta felicidade teria um fim triste e cruel...
Eu estava em dúvidas quanto à manter meu segredo da gravidez a Daniel, então uma noite entrei no chat como fazia todas as noites, ainda não decidida se contaria ou não a ele sobre a gravidez e pensando em como dar a notícia da melhor forma, sem pressioná-lo e sem dar esta impressão, mas dei de cara com a "namorada" de Daniel... Surpreendentemente, ela fez algo que nunca havia feito antes: me cumprimentou alegremente e continuo conversando normalmente com nossos amigos de chat. Apesar de não termos uma relacionamento estreito, tínhamos amigos em comum. Eu gelei, lógico, quem na minha situação não ficaria preocupado? Alguns minutos depois, Daniel entrou e foi aí que eu tive a maior decepção. Além de ter me ignorado com um seco "Boa Noite", Daniel e Soraia trocavam carinhos no chat no maior clima "love", como se ainda fossem namorados, na minha presença e com o apoio de nossos amigos que não fazia a mínima idéia da história que havia acontecido entre nós. Imediatamente eu comecei a passar mal, literalmente. Senti uma enorme ânsia, mal me despedi do chat sem contar a ele sobre a verdade e corri para o banheiro...
No dia seguinte Daniel me ligou e a única reação que tive foi a de perguntar o que estava acontecendo, o que "eu havia perdido", pois aquela cena que eu havia presenciado entre os dois nada parecia com um fim de relacionamento. Daniel me pediu desculpas e alegou que não havia tido coragem de conversar com ela pessoalmente, mas que o faria naquele mesmo dia e eu, como sempre, acreditei.
Resumo da Ópera: alguns poucos dias se passaram e a cena se repetia. Daniel trocando carinhos com Soraia e eu, tonta e sensibilizada pelos hormônios da gravidez, chorando e passando mal do outro lado do computador imaginando o que iria ser da minha vida com aquele bebê na barriga e promessas indo por ralo abaixo. Daniel tentava me dobrar com a mesma desculpa esfarrapada de que não conseguia falar com ela, mas no fundo eu tinha certeza de que ele estava apenas me enrolando. Daniel começou a desconfiar muito da minha gravidez e foi a partir deste ponto que ele mudou de atitude comigo, dizendo que eu estava pressionando-o. Definitivamente ele não era a mesma pessoa que esteve comigo naquele feriado de Reveillon. Eu estava em uma situação delicada, sozinha, decepcionada, desiludida e com um filho na barriga mas o pior ainda estava para acontecer...
Em um dos vários outros dias que eu havia sido ignorada por Daniel, Soraia veio falar comigo no reservado. Ela me disse que sabia de tudo o que havia acontecido entre nós e ainda me disse que Daniel estava arrependido do que havia feito e que não tinha coragem de me dizer que ele havia se decidido por ela. Disse ainda que o perdoou e que não iria permitir que seu relacionamento terminasse por uma simples aventura de Reveillon. Pior, ainda me culpou pelos fatos me colocando na posição de uma mulher que havia se oferecido para o seu namorado e que ele mesmo duvidava que eu estivesse grávida e de que o filho fosse dele. Como assim? Cheguei a conclusão de que Daniel desconfiava da minha gravidez há muito tempo devido ao meu comportamento e, ou havia jogado verde para colher maduro ou alguém tinha dado com a línguas nos dentes. Mas tarde descobri que ele estava mesmo jogando, porque ele não tinha a plena certeza de que eu estava grávida.
Este simples "bate papo" nada amigável com Soraia, tornou-se um verdadeiro barraco digital. Sim, ela começou a soltar frases comprometedoras no aberto, pedindo desculpas depois e alegando que "era para sair no reservado" e que "provavelmente deu algum erro". Eu sabia que era impossível, ou ela era muito burra ou estava fazendo aquilo de propósito. Eu preferia acreditar na segunda opção, pois de burra ela não tinha nada e as frases "soltas" no aberto eram frases de efeito, ou seja, ela manipulava nossa conversa de modo que só ia para o aberto o que ela queria, comprometendo minha reputação. Nem preciso dizer que o chat tornou-se um ringue e que todos permaneceram calados observando até onde aquela discussão iria acabar. Provavelmente ela deve ter dito algo às pessoas do chat, mas à maneira dela, pois todos, envenenados, começaram a dizer que eu havia aplicado o "golpe da barriga" para me casar com ele ou que eu estaria mentindo sobre uma suposta gravidez para forçá-lo ficar comigo. Fiquei chocada e horrorizada com aquela situação, algumas pessoas foram realmente duras comigo apoiadas em totais inverdades. Soraia continuou a me ofender horrores até que comecei a fazer seu jogo, debaixo de lágrimas e de um profundo mal estar, comecei a "deixar" que algumas frases "de efeito" "sem querer" fossem para o aberto. Descobri que Daniel estava on-line com outro nick e desci ao nível mais baixo da minha existência dizendo uma série de verdades que fez com ela também se calasse, me despedi de todos, educadamente e me desconectei. Lógico que depois me joguei na cama e passei dias e noites chorando copiosamente, mas eu queria esquecer Daniel e tudo o que estava relacionado a ele. Se necessário, eu iria negar a paternidade do seu filho até o fim.
Algumas pessoas me ligaram para me consolar e tentar me confortar mas nada parecia fazer efeito. No meio dessas pessoas, alguns telefonemas de Daniel. Ele foi seco e me questionou sobre a existência da gravidez que eu insistia em lhe negar com o propósito de que ele tomasse uma decisão sem pressão e somente porque eu estava esperando um filho seu, mas ele ficava nervoso e não acreditava em mim. Eu sempre fui uma péssima mentirosa mas iria manter meus princípios até onde fosse possível. Mesmo assim Daniel não havia se decidido e pior, ainda resolveu colocar um ponto final na nossa história quando me neguei a lhe confirmar ou não a gravidez. Se por um lado foi uma grande decepção, por outro me senti aliviada: realmente ele demonstrava não ter um pingo de caráter e não me merecia. Definitivamente eu não queria ao meu lado um homem só por causa de uma gravidez. Golpe da barriga não fazia o menor sentido para mim.
Os dias seguintes foram de puro pesadelo. Eu estava separada, sozinha e tentando imaginar como seria minha vida workholic com um bebê de um homem que eu havia amado mas que era um traste. Pior: como eu iria dar esta notícia à minha família? Mãe solteira abandonada não era o perfil que minha família desejava ou que aceitaria facilmente. Eu nunca pensaria em um aborto, principalmente por ter pedido um bebê alguns meses antes. Era algo completamente fora de cogitação. Eu teria que enfrentar aquela situação que eu sempre criticava com peito aberto e cabeça erguida. Mas não foi bem isso que aconteceu...
Estava decidido: comk apoio de amigos, para Daniel eu negaria a gravidez até o fim e me mudaria para os EUA, onde poderia criar meu filho sem algumas pessoas soubessem mas meu nível de estress com os problemas com meu carro em decorrência do acidente e com minha história com Daniel extrapolou meus limites. Encontrei nas baladas e companhias de mesas de bar, as piores soluções para meus problemas.
Eu passei a ingerir uma quantidade absurda de álcool, de forma irresponsável sem me preocupar com minha vida e a do meu bebê. Eu estava completamente perdida. Em uma dessas madrugadas eu havia ingerido cerca de umas 10 doses duplas de Jack Daniel com Flash Power, além de um pouco de cocaína, ou seja, meu estado era lastimável. Saí da boite, peguei meu carro alugado com o manobrista e dirigi madrugada afora pela cidade, na esperança de esfriar a cabeça e pensar sobre tudo o que estava acontecendo na minha vida.
Fui a todas as regiões da cidade, Norte, Sul, Leste e Oeste, dirigindo, sem destino certo, ouvindo "Sisters of Mercy", pensando em Daniel, em tudo o que ele havia me dito, nos sorrisos que ele me deu, nos beijos, nos momentos mais íntimos e em nosso filho... Devo ter chorado tanto que o álcool foi embora junto com as lágrimas, pois às 6h da manhã eu continuava dirigindo e já estava completamente sóbria. Foi quando estava subindo a 23 de Maio a cerca de 60 km/h, velocidade até lenta para a pista, e apenas vi um vulto e senti um tranco no carro. Quando me dei conta, havia rodopiado na pista e, por muito pouco, meu carro não se chocou com um poste um muro de concreto que, com certeza, teriam tirado minha vida, devido à força de como meu carro foi jogado. Meu carro ficou prensado entre o poste e o muro, na verdade, nem um palmo da minha mão cabia entre meu carro e ambos. Com certeza devo ser uma excelente motorista porque ainda consegui tirar o carro de lá: a lateral do carro onde eu estava foi completamente rasgada pela picape que ia me arrastando e me pensando. Era um picape de grande porte, uma F250 e, sinceramente, Deus me livrou da morte naquele início de manhã. Mas eu estava com o cinto de segurança e senti um grande e forte impacto nos seios e no meu ventre causados pelo tranco do cinto, a ponto de sentir uma grande ânsia de vômito. O policial que nos atendeu me disse que não sabia como eu havia conseguido escapar do acidente praticamente ilesa.
Ainda no local do acidente, senti algo quente e molhado entre minhas pernas, então tratei de resolver rapidamente o problema com o motorista da picape e com a polícia, trocando cartões e telefones, alegando que eu estava grávida e não estava passando bem. Eles perguntaram se eu queria ir ao ponto-socorro, mas estavam tão bêbados que achei melhor eu ir para casa sozinha, já que o carro no qual eu estava ainda andava e depois, se necessário, eu procuraria ajuda médica...
Fui para casa e tive outra constatação: eu estava perdendo meu bebê. O sangramento era diferente do que havia tido quando perdi meu primeiro bebê, mais intenso, forte então tive a certeza de que nada poderia ser feito. Eu não fui ao hospital. Talvez eu tivesse medo da minha família que ainda não sabia que eu estava grávida, talvez eu, no fundo, achasse que se fosse para o hospital poderiam tentar salvar o bebê e talvez eu não quisesse isso. Talvez fosse melhor deixar que as coisas apenas acontecessem naturalmente, talvez aquela fosse a resposta para meus problemas, não sei. Apenas sei que fui para o chuveiro até aquela hemorragia parar. Desliguei o chuveiro e fui para a cama, buscar consolo em meus travesseiros, com um sentimento de culpa, decepção, dor e perda, mas com um alívio enorme que eu não queria admitir.
Se por um lado não havia assumido minha gravidez publicamente para meus amigos, tive que assumir o aborto, uma vez que eu precisava desabafar e meu comportamento estava visivelmente alterado, exceto para uma pessoa: Daniel. Não havia como esconder, cedo ou tarde os acontecimento chegariam aos ouvidos de Daniel de uma forma ou outra e assim foi. Daniel me procurou pela última vez lamentando o que havia acontecido e dizendo que se precisasse de algo eu poderia contar com ele. Bizarro e irônico ouvir isso da pessoa que havia acabado de me trair e de me abandonar. Não que ele havia me traído com a namorada dele, me traiu com sentimentos, com promessa, traiu minha confiança e a amizade que achei que tínhamos. Traiu todos os poucos momentos felizes que tivemos juntos e as confidências e segredos que trocamos um com ou outro. Eu não poderia perder aquele momento e a única chance de uma vingança, disse a Daniel que ele poderia desconfiar, mas da minha boca ou das minhas mãos ele nunca teria a certeza se eu realmente estive grávida e se realmente perdi nosso filho. Não confirmeia gravidez e tampouco o aborto. Comecei a fazer afirmações que passaram a confundí-lo, eu preferia que ele não tivesse a certeza se realmente iria ser pai ou se eu apenas estive mentindo o tempo todo. A dúvida era o maior castigo que ele poderia ter e eu preferia acreditar na possibilidade de que poderia achar que estava tentando dar o falso golpe da gravidez do que ter a certeza de que ele poderia ter sido pai, já que essa era minha única e última arma: Daniel havia sido casado uma vez e sua mulher havia tido um aborto espontâneo que abalou a relação e fez com que o relacionamento terminasse, mesmo que estivessem apaixonados, pois seu maior desejo era ser pai. Eu sabia dessa história desde nossa primeira noite no hotel e era o principal motivo o porquê eu não queria que ele tomasse uma decisão baseada na existência de uma gravidez. Queria tê-lo ao meu lado por um sentimento que ele tivesse por mim e não por causa de um filho... Esse era o principal e real motivo do porquê escondi minha gravidez de Daniel até onde pude.
Depois da minha declaração bombástica que o deixou confuso e desnorteado, desliguei o telefone e decidir por fim na única prova de que ralmente havia um bebê, havia um filho de Daniel comigo: queimei todos os testes e exames de gravidez. Este ato não era apenas para puní-lo mas tinha outro objetivo: sem as "provas" eu tinha a esperança de enterrar esta hístória de uma vez por todas.
Encontrei com Daniel em um dos encontros estaduais do pessoal do chat. Cumprimentei-o secamente por educação. Apesar de tudo o que havia acontecido e que as pessoas tiveram conhecimento, uma de minhas amigas estava cedendo aos seu "charme". Tentei me manter distante o máximo que pude, eu já havia feito a minha parte e as pessoas são responsáveis por si mesma, eu não posso pegar as pessoas pelas mãos e dizer o que elas devem ou não fazer. Nem sequer tomei conhecimento se a relação deles evoluiu, mas depois fiquei sabendo que eles não estavam mais juntos. Daniel até tentou se aproximar de mim ainda com aquela velha dúvida mas eu não cedi... Anos depois soube que ele estava morando com outra garota mas também não quis saber dos detalhes. Muitas pessoas e histórias se passaram pela minha vida durante os últimos exatos 10 anos.
Também encontrei com Soraia, a namorada de Daniel em alguns encontros. Me senti mal porque ela me cumprimentou e apenas jogamos conversa fora, apesar de eu sentir uma grande desejo de conversar com ela franca e abertamente sobre o que aconteceu, mas me faltava coragem. Queria lhe pedir perdão e contar a minha versão sobre a história e, sem prepotência, a única verdade.
Anos depois, tomei coragem e acabei procurando Soraia. Eu já estava casada e havia superado a história de Daniel e a encontrei no Orkut. Eu me sentia mal pelo o que havia acontecido e decidi que deveria lhe dar uma explicação, mesmo que eu não me sentisse culpada e mesmo achando que ela havia sido injusta comigo, me expondo e me ofendendo no chat e durante os encontros estaduais onde estávamos presentes. Não foi surpresa para mim que ela tivesse me recebido de uma forma mais amigável do que esperava. Eu tinha a certeza de que ela era uma excelente pessoa e que Daniel havia criado dois perfis bem distintos da realidade para nós duas. De fato, Daniel havia lhe contado outra história completamente diferente. Não era pura e simplesmente a "versão de Daniel" sobre os fatos. Daniel distorceu toda a realidade e Soraia acreditou na minha história. No fundo, muitas pessoas me conheciam e eu gozava de excelente reputação, por mais que tivesse cometido algumas bobagens em nome daquilo que eu achava que era amor. Além disso, Daniel também deve ter demonstrado sinais de que não era uma pessoa de caráter tão limpo assim. Eis trechos de algumas mensagens que trocamos:
----- Original Message -----
From: XXXXX
To: XXXXX
Sent: Tuesday, July 19, 2005 12:13 AM
Subject: Re: Passado
XXXXXXXXX
Eu fiquei uns 3 meses pensando em como começar e por onde começar *rs ...
Antes de mais nada, gostaria de dizer que estava morando XXXXXX e pensei até em te procurar pessoalmente, mas desde dezembro, estou fazendo um tratamento sério XXXXXX. Algumas coisas aconteceram nestes meses e me fizeram que eu tomasse certas atitudes e pedisse o perdão de algumas pessoas e perdoasse outras (mesmo que elas não tenham me pedido perdão).
Muitas pessoas não me conhecem realmente, que eu sou, meu passado, as coisas que aconteceram comigo, mas são coisas que lhe garanto, dariam um BOM livro.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX( história relatada acima) XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Depois disso nunca mais falei com o XXXXX e nunca contei a ele sobre a verdade da gravidez, eu acho que até hoje eu não quero que ele saiba porque não há mais nada a fazer. Hoje estou casada e feliz com o homem mais maravilhoso do mundo. Soube, através de amigos que o XXXXXX acabou se metendo em algumas confusões e estava até jurado de morte. Orei por ele para que ele tomasse juízo, depois disso nunca soube o que aconteceu, mas espero que ele seja muito feliz.
Quando ti vi no encontro em XXXXXX me senti mal, porque queri lhe pedir perdão e te mostrar quem eu realmente sou ... mas não tive coragem ...
Bem, eu precisava colocar isso para fora. Não sei que história ele te contou, mas esta é a verdade única. Sou cristã e Deus não permite que eu minta ou omita algo.
Espero que um dia possa me perdoar.
Sem ressentimentos, desculpe-me por te contar isso
Com carinho
Anny
11-XXXXXXXXXXXX
----- Original Message -----
From: XXXXX
To: XXXXX
Sent: Thursday, April 07, 2005 5:24 PM
Subject: RE: Passado
Anny,
Como boa taurina que sou, não sou de ficar valorizando coisas ruins do passado, mas pode ficar a vontade para desabafar o que te incomoda. Se quiser "falar" por e-mail ou ao vivo, é só avisar ;-)
beijão
XXXXXX
>From: "Loba Muito Cruel\""
>Reply-To: "Loba Muito Cruel\"" XXXXX@XXXXX
>To: "XXXXX" XXXXX@XXXXX
>Subject: Passado
>Date: Thu, 07 Apr 2005 01:12:36 -0800 (PST)
>
>Tem uma coisa do passado que até hoje me incomoda muito ... Você já deve imaginar o que seja, mas eu gostaria, se você quiser, de lhe dizer algumas coisas que estão me incomodando. Não quero que fique no ar ou na memória ou nos corações mentiras e farsas ... Se vc quiser, lógico ...
>
>Beijo carinhoso
>
>Anny
>
>This message was sent by "Loba Muito Cruel" .
>
>http://www.orkut.com/
>
>* * *
>
>To control notification emails, access your Account Settings:
>
>http://www.orkut.com/Settings.aspx
Depois de algum tempo, ela me retornou a seguinte mensagem:
----- Original Message -----
From: XXXXX
To: XXXXX
Sent: Friday, July 22, 2005 7:43 PM
Oieeeeeeeeee
Bom, só hj tive acesso ao hotmail (aqui na empresa tá uma loucura, quase
tudo barrado, um inferno...rs), mas vou te responder da melhor forma
possível.
Vamos por partes:
1º Eu e o XXXXX tínhamos um relacionamento em que não havia cobranças de
nenhuma das partes. Ele "é" mais novo q eu, eu tinha acabado de me separar e
não estava apaixonada por ele. Ele é um cara bonito, tem um certo grau de
inteligência, é carente, enfim, existia uma possibilidade de investimento
futuro, mas eu não estava preparada p/ assumir nada, e minha confiança nele
não eram suficientes para isso. Ia levando, entende? Mas com respeito. Eu
não queria saber se rolava alguma coisa entre ele e outra pessoa, assim como
eu não permitia ser questionada sobre a minha vida longe dele. Até aquele
momento, rolava uma relação bem gostosa, em que estavamos juntos e nos
divertíamos. NUNCA dei dinheiro pra ele, até pq eu não tenho. Sou uma
fodida....rs. Pelo visto ele mentiu em vários assuntos tanto pra mim quanto
pra vc, mas isso não vem ao caso agora.
2º Obviamente, fiquei chateada, não pela traição em si, mas pelo q ele
falou, que tinha sido VC quem tinha dado em cima dele, e ele tava triste, em
um momento de depressão, e q acabara "sucumbindo" as suas
investidas...rs...é um canalha, né??? Por esse motivo é q eu briguei com vc:
pq vc sabia q estavamos juntos e mesmo assim tinha dado em cima dele. Com
tudo o que vc escreveu, percebo o quanto, nós duas, fomos ingênuas. Eu não
estava viajando. Ele me disse que tava precisando ficar sozinho, q tava em
crise e q não seria uma boa cia. Eu insisti e até briguei com ele. Já q
estavamos juntos, não era justo ele ficar "só". Q se eu fazia parte da vida
dele pros bons momentos, então tbm deveria fazer nos maus momentos,
etc..etc...
3º Pra resumir: eu NUNCA saberia se alguem (até hj não sei quem foi), não
tivesse ameaçado ele de me contar que tinha visto vcs dois juntos. Eu sabia
q vc estava em XXXXX e disse a ele q tinha certeza q vcs se encontrariam. Eu
sentia o clima rolando entre vcs, e claro, tinha uma ponta de ciúmes. Ele
JUROU q não iria te encontrar. Entende o monte de mentiras? Ele me disse q
quando acordou ao seu lado, pensou: O Q ESTOU FAZENDO AQUI? Q ele queria
poder ter apagado tudo. Q ele queria ficar comigo, me assumir, blá blá blá.
Foram muitas palavras, e hj sei q foram na verdade "blasfêmias".
Mas passou. Não deixou marcas.
No encontro em XXXXX, as pessoas vieram me dizer para ter cuidado com vc, q vc
era perigosa, etc. Quando eu te olhei, não rolou nenhum tipo de rancor,
mágoa ou qquer outro sentimento desse tipo. Pensei comigo mesma: Q bobagem
tudo isso! Ela sempre foi tão maneira! Vou esquecer o q passou e tratar de
ser feliz!
Aí falei contigo normalmente.
É isso.
Pra mim isso é passado e não tem importância alguma.
Fico feliz de saber que vc está bem, com alguem q te valoriza e te completa.
Isso é q importa.
Lamento por tudo q vc passou. Mas deixe o no passado. Siga seu caminho.
Um beijo enorme.
A gente vai se falando, tá?
:)
XXXXX
Ao ler sua mensagem tivemos a plena certeza de que Daniel havia mentido para nós duas com ampla riqueza de detalhes que não havia como desconfiar dele. Achei por bem esclarecer alguns pontos que poderiam gerar um mal entendido:
----- Original Message -----
To: xxxxx
Sent: Tue, 19 Jul 2005 00:13:31 -0300
Subject: Re:
Oiê
Lembra que eu disse que não achava sua mensagem, que não havia recebido? Pois é ... deve ter caido em outra pasta e estava limpando meu e-mail e encontrei!
1) Depois de muito tempo, no fundo eu acabei tento certeza de que ele mentiu para nós duas ... O que é uma "pena" porque ele não precisa disso, é um cara bonito, inteligente, carinhoso, envolvenete, pode conseguir o que quiser de uma mulher sem ter que mentir para ela... Retiro o "inteligente", porque ele provou que era burro... Eu fiquei fXXXXX de 2002 para cá, antes eu tinha uma vida bacana, mas, com certeza o teria acolhido se ele decidisse mudar para casa, por amor, até ele se acertar. Que mulher não faria isso, não daria um voto de confiança?
2) É óbvio que ele iria dizer que EU dei em cima dele, o que ele iria dizer a você? O pior é que sou super tímida quando se trata de homens, nunca dei em cima, tentei conquistar ou me insinuar para alguém. Justo eu, que tive várias decepções amorosas. Para eu acreditar num cara ele tem que ser muito sincero ou mentir muito bem (como o XXXXX) OU insistir muito até eu ceder... Fui XXXXX no sentido de ter ficado com vários caras, por estar apaixonada, mas nunca fui fácil, apenas decidida. Pior é que eu estava com um pé atrás para levá-lo à pizzaria de XXXXX, um certo sexto sentido, mas aí pensei, não tem nada demais... Ledo engano... Loba Cruel era só no nick :( Quem vê pensa que eu era uma DEVORADORA de homens! A cara de pau dele chegou a tanta que ele dizia que você estava ligando nem sei de qual lugar para perguntar se estava tudo bem aqui em XXXXX. Ele criou um cenário inquestionável, com riqueza de detalhes, do tipo quando você foi viajar, quando, com quem, como era o local ... Impressionante! Imagine se, na pior das hipóteses, além de ter feito parte da traição, eu teria a cara de pau de fazer isso na cidade, onde você estava, sabendo que alguém poderia ver (porque o mundo é pequeno, uma ervilha!)
3) Agora, pensando friamente, juntando as peças, eu acho que ele acabou espalhando para algumas pessoas que tinha ficado comigo ... Porque existia um mito em cima de mim pelas coisas que aconteceram comigo na net e pela minha boca grande, pelo fato de ser muito aberta com as pessoas erradas. Eu acho que ele quis se gabar e acabou contando para as pessoas erradas, porque a XXXXX e a XXXXX, jamais contariam, eram amigas da vida real e não virtual. E a XXXXX só ficou sabendo depois que a bomba estourou. A XXXXX jamais contaria porque fui encubida por ela de conhecer um cara com quem ela teclava e sondar o carinha, tanto que saímos uma tarde para tomar um lanche (no XXXXX) eu e ele. Para completar ele era amigo de um ex-namorado meu XXXXX. Então eu sabia de segredos dela, estávamos quites. Engraçado, acordou tãooooooo arrependido que até chorou e desabafou no meu colo contando o passado dele ... Ainda por cima passou a tarde comigo ... Muito canalha. O único momento onde ele pareceu esquisito foi no Aeroporto, mas como ele disse, você trabalhava com XXXXX e poderia estar lá, e ele não queria que você descobrisse que estávamos juntos da pior forma ... Arrependido ... Tá! E posso te dizer algo? Nunca rolou nenhum clima no chat. Se rolou, foi por parte dele, como eu te disse, eu achava as cantadas dele meio "baratas" e ele vinha com aquele papo de "sexo sem compromisso" e não era o meu estilo, não era o que eu estava buscando. Posso te confessar uma coisa, pensando bem, eu senti este clima entre ele e várias meninas ... Até achei que ele estava namorando algumas meninas ... Era típico dele, envolver as pessoas...
Prá terminar este tópico (*rs), como eu disse, eu acordei antes e fui chorar no banheiro pensando na minha inconsequência na noite anterior e ele veio atrás me consolar com todas as juras de amor e blá, blá, blá ...
Agora ... por que ele fez tudo isso é que eu queria entender. Acho que ele gostava de você, caso contrário ele não voltaria com você e não tentaria jogar a culpa e a responsabilidade em cima de mim... O que ele jogou para mim é o típico papinho de cara casado que joga para a amante, do tipo "minha mulher é um monstro". Eu fui, de certa forma, difícil para ele, foram meses ele me telefonando em SP querendo me encontrar, porque ele sabia que eu ia direto para XXXXX. Eu fui um troféu, uma conquista. Me magoei e muito porque eu não vou mentir, naquela primeira noite eu realmente me apaixonei para ele, porque ele demonstrou outra pessoa para mim. Não quero fazer média, mas depois eu me sentia culpada e uma traíra, mesmo que não te conhecesse, porque nunca fiquei com alguém que tivesse uma namorada, foi a primeira vez. Depois eu me apaixonei por um cara casado, mas descobri que ele era casado, depois que estava com ele. Foi muito difícil, sofri muito e o pior é que cai na mesma armadilha do XXXXX, o mesmo papo. Pudera, ele foi a primeira pessoa que eu conheci depois do XXXXX .... pois é ... você acredita nisso?
Olha, XXXX, que passou, passou, mas eu não vou mentir... apesar de não querer o mal dele, querer que ele siga a vida dele, feliz e que se acerte com alguém, eu fico pensando porque ele fez isso comigo ... Quem me conhece, como ele me conheceu sabe como eu sou, sensível demais, me envolvo demais e muito facilmente, as pessoas me fazem de gato e sapato! Por isso quando você diz que as pessoas vieram te dizer que eu era PERIGOSA, é de morrer de rir! Que coisa ... Acho que as pessoas estavam confundindo "a personagem" com a pessoa que está por trás do nick ... Nossa ... quantas pessoas do chat ficaram na minha casa, dormiram na minha casa ... tem carinha que dormiu na minha cama, abraçado comigo, como meu irmão!!!!!!!!!! Não rolou NADA, absolutamente NADA, porque eu fui criada assim com meus amigos homens. Quantas vezes já dormi chorando no colo de amigos homens!!!! Tinha horas que eles faziam um comentário típico masculino e eu tinha que dizer "opaaaaaa, ainda sou mulher!", porque eles se esqueciam de que eu era uma mulher!!!!! Concorda que seu eu fosse perigosa, eu não estaria chorando e sofrendo por causa de homem? Teria todos aos meus pés??????? Posso te dar uma lista de homens pelos quais me apaixonei e comi o pão que o diabo amassou na mão deles ... Vários da Net... Teve homem que terminou comigo por chat (namorado real e não virtual), teve um que me largou no aeroporto (quase perdi emprego, casa, família), teve um que me ameaçou de morte, teve um que relatou nossas intimidades sexuais, para quem quisesse ler ...
E nossa última mensagem trocada por e-mail:
----- Original Message -----
From: XXXXX
To: XXXXX
Sent: Thursday, August 11, 2005 11:02 AM
Subject: Re: Passado
Oie de novo...rs
Eu não salvei a msg na caixa de saída...já era!!!
Mas eu dizia +/- q ambas fomos enganadas, q eu NUNCA dei um presente pra
ele, muito menos dinheiro (sou uma fudida...rs), etc...e q na época fiquei
chateada sim, mas que já passou...há muito tempo. Se não tivesse passado,
não teria falado contigo naquele encontro em XXXXX e nem respondido no
Orkut.
Ele te fez muito mal, mas acredito na misericórdia divina, e vc já superou
isso tudo, Graças a Deus.
Vamos seguir nossos caminhos. Te quero bem e espero que vc supere todos
esses momentos desagradáveis pelo qual vc vem passando. Qualquer coisa me
procura, ok? E se estiver XXXXX, vamos marcar um choppinho ;o)
Beijão
XXXXX
Desta forma, depois da queima das provas da minha gravidez e depois de meu bate-papo com Soraia, deu o caso por encerrado, apesar de não esquecer até hoje e de ainda não entender o comportamento de Daniel. Percebi que Soraia era muito mais legal do que eu imaginava e que ela havia sido vítima tanto quanto eu. Seria injusto colocar nossos sofrimentos em uma balança: ela já tinha um relacionamento mais duradouro com ele e eu havia carregado nosso filho na barriga durante algumas semanas. Ao mesmo tempo em que me senti aliviada por ter esclarecido os fatos com Soraia, também me senti proporcionalmente cruel e leviana por ter permitido meu envolvimento com Daniel, mas eu estava tão apaixonada e fui tão seduzida que não medi as consequências. Espero que Soraia tenha me perdoado de fato, mas fui tão vítima quanto ela.
A história de Daniel teve um fim, mas acabou sendo estopim para outra história, na verdade a segunda parte deste relato... em breve...